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Poema e Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen

Sou o único homem a bordo do meu barco. 
Os outros são monstros que não falam, 
Tigres e ursos que amarrei aos remos, 
E o meu desprezo reina sobre o mar. 

Gosto de uivar no vento com os mastros 
E de me abrir na brisa com as velas, 
E há momentos que são quase esquecimento 
Numa doçura imensa de regresso. 

A minha pátria é onde o vento passa, 
A minha amada é onde os roseirais dão flor, 
O meu desejo é o rastro que ficou das aves, 
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

em "Coral", 1950 

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