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Poema e Poesia de Florbela Espanca

À minha ilustre camarada Laura haves 

Pelos campos em fora, pelos combros, 
Pelos montes que embalam a manhã, 
Largo os meus rubros sonhos de pagã, 
Enquanto as aves poisam nos meus ombros... 

Em vão me sepultaram entre escombros 
De catedrais duma escultura vã! 
Olha-me o loiro sol tonto de assombros, 
as nuvens, a chorar, chamam-me irmã! 

Ecos longínquos de ondas... de universos.. 
Ecos dum Mundo... dum distante Além, 
Donde eu trouxe a magia dos meus versos! 

Sou eu! Sou eu! A que nas mãos ansiosas 
Prendeu da vida, assim como ninguém, 
Os maus espinhos sem tocar nas rosas! 

em "Charneca em Flor"

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