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Poema e Poesia de António Aleixo

Mundo
António Aleixo

Façam por não Verem Mais

MOTE 

Vós, ó mães idolatradas, 
Façam por não verem mais 
Crianças abandonadas, 
Tísicas — nos hospitais. 

GLOSAS 

Sim, vós, ó mães carinhosas, 
Criai as vossas filhinhas, 
Educai-as de criancinhas, 
Mas não em leis religiosas, 
Que essas leis são perigosas, 
E p'los homens inventadas. 
Não sigam, pois, enganadas 
Pelos padres sem consciência, 
E amem o deus-Providência, 
Vós, ó mães idolatradas!... 

Se quereis ver a religião, 
Já noutro tempo atrasado, 
Leiam um livro chamado 
«Mistérios da Inquisição»... 
Lendo aí, compreenderão 
Como as pessoas reais 
Mandaram fuzilar pais 
E mães sem fazerem mal. 
Padres e gente real, 
Façam por não verem mais. 

E quando se saiba amar 
Como irmãos, em toda a terra, 
Bombas, revoluções e guerra 
Para sempre hão-de acabar; 
Nem mais se hão-de encontrar 
Mulheres «matriculadas» — 
Infelizes que, desonradas, 
Ali procuram a morte, 
Deixando, aos vaivéns da sorte, 
Crianças abandonadas. 

Hão-de acabar os ladrões, 
Os patifes, os mariolas — 
Quando se fizerem escolas 
Das igrejas e prisões. 
Hão-de acabar os patrões, 
Que são prejudiciais — 
Comprando bons enxovais 
P'ràs suas filhas — enquanto 
As dos pobres vertem pranto, 
Tísicas — nos hospitais. 

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