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Poema e Poesia de Almada Negreiros

A pastorinha morreu, todos estão a chorar. Ninguem a conhecia e todos estão a chorar. 

A pastorinha morreu, morreu de seus amôres. Á beira do rio nasceu uma arvore e os braços da arvore abriram-se em cruz. 

As suas mãos compridas já não acenam de alêm. Morreu a pastorinha e levou as mãos compridas. 

Os seus olhos a rirem já não troçam de ninguem. Morreu a pastorinha e os seus olhos a rirem. 

Morreu a pastorinha, está sem guia o rebanho. E o rebanho sem guia é o enterro da pastorinha. 

Onde estão os seus amôres? Ha prendas para Lhe dar. Ninguem sabe se é Elle e ha prendas para Lhe dar. 

Na outra margem do rio deu á praia uma santa que vinha das bandas do mar. Vestida de pastora p'ra se não fazer notar. De dia era uma santa, à noite era o luar. 

A pastorinha em vida era uma linda pastorinha; a pastorinha mórta é a Senhora dos Milagres. 

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