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Poema e Poesia de Alberto Caeiro

Amor
Alberto Caeiro

Ninguém o Tinha Amado, Afinal

O pastor amoroso perdeu o cajado, 
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta, 
E de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe pira tocar. 
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu. 
Nunca mais encontrou o cajado. 
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas. 
Ninguém o tinha amado, afinal. 
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo: 
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre, 
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento, 
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, 
estão presentes. 
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco 
nos pulmões) 
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, 
uma liberdade 
no peito. 

em "O Pastor Amoroso" 

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