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Poema e Poesia de Alberto Caeiro

Vida
Alberto Caeiro

Quem me Dera que a Minha Vida Fosse um Carro de Bois

Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois 
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada, 
E que para de onde veio volta depois 
Quase à noitinha pela mesma estrada. 
Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas 
... 
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco... 
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas 
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco. 

em "O Guardador de Rebanhos - Poema XVI" 

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