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Poema e Poesia de Manuel Lopes da Fonseca

Dá o Outono as uvas e o vinho 
Dos olivais o azeite nos é dado 
Dá a cama e a mesa o verde pinho 
As balas dão o sangue derramado 

Dá a chuva o Inverno criador 
As sementes da sulcos o arado 
No lar a lenha em chama dá calor 
As balas dão o sangue derramado 

Dá a Primavera o campo colorido 
Glória e coroa do mundo renovado 
Aos corações dá amor renascido 
As balas dão o sangue derramado 

Dá o Sol as searas pelo Verão 
O fermento ao trigo amassado 
No esbraseado forno dá o pão 
As balas dão o sangue derramado 

Dá cada dia ao homem novo alento 
De conquistar o bem que lhe é negado 
Dá a conquista um puro sentimento 
As balas dão o sangue derramado 

Do meditar, concluir, ir e fazer 
Dá sobre o mundo o homem atirado 
À paz de um mundo novo de viver 
As balas dão o sangue derramado 

Dá a certeza o querer e o concluir 
O que tanto nos nega o ódio armado 
Que a vida construir é destruir 
Balas que o sangue derramado 

Que as balas só dão sangue derramado 
Só roubo e fome e sangue derramado 
Só ruína e peste e sangue derramado 
Só crime e morte e sangue derramado. 

em "Poemas para Adriano"

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