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Poema e Poesia de Guerra Junqueiro

Amor
Guerra Junqueiro

Carta a F.

És tu quem me conduz, és tu quem me alumia, 
Para mim não desponta a aurora, não é dia, 
Se não vejo os dois sóis azuis do teu olhar. 
Deixei-te há pouco mais dum mês, – mês secular 
E nessa noite imensa, ah, digo-te a verdade, 
Iluminou-me sempre o luar da saudade. 
E nesses montes nus por onde eu tenho andado, 
Trágicos vagalhões dum mar petrificado, 
Sempre adiante de mim dentre a aridez selvagem, 
Vi como um lírio branco erguer-se a tua imagem. 
Nunca te abandonei! Nunca me abandonaste! 
És o sol e eu a sombra. És a flor e eu a haste. 
Na hora em que parti meu coração deixei-o 
Na urna virginal desse divino seio, 
E o teu sinto-o eu aqui a bater de mansinho 
Dentro em meu peito, como uma rola em seu ninho! 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

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