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Novidades das Edições Colibri
Conheça aqui as mais recentes novidades das Edições Colibri.
Introdução aos Repositórios Digitais
Luís Corujo
Luís Corujo dá ao seu livro o título Introdução aos Repositórios Digitais, brindando-nos com um estudo, tanto introdutório quanto exaustivo, que parte das origens e do conceito de ‘repositório digital’ para os seus campos de utilização, discutindo-os na sua relação com os arquivos digitais e as bibliotecas digitais, mas também na sua natureza temática e/ou institucional. De seguida, debruça-se sobre o modelo OAIS – Open Archival Information System, também este com uma nova versão, prosseguindo com uma análise sobre a confiança e a certificação. Esta é, portanto, uma obra feita e lida em três tempos, que pode ser vista como um manual, obrigatório para todos os estudantes de Ciência da Informação, de Sistemas de Informação e Tecnologias da Informação e Comunicação, assim como para professores e investigadores das mesmas áreas de investigação, que se interessem pelo tema.
Um livro obrigatório para as comunidades de prática, isto é, para todos os profissionais de informação que atuam no âmbito dos repositórios digitais, assim como em arquivos, bibliotecas e museus digitais. Um livro que, pelo seu conteúdo e pela maturidade do autor, preenche uma lacuna na bibliografia portuguesa e em português sobre a temática dos repositórios digitais, com que afortunadamente nos brinda.
Mentiras de Cães
Roberto Robles
Algures, na zona beirã, um intruso de pena branca vai alterar o marasmo milenar de uma comunidade galinácea. Graças a uma rede de coincidências, que só os livros nos dão, aquele acontecimento vai repercutir-se nos habitantes da região, quer vistam a pele de candidatos autárquicos, esposas quase insuspeitas ou de trágicos marialvas.
Mentiras de Cães colou-se à memória dos locais como um ponto cinzento com sinalização proibida. Os homens adultos riam-se nervosamente dos medos das mulheres e crianças. Algumas destas crianças cresceram a comer sopa de urtigas e esparregado de beldroegas, sob a ameaça que, caso não rapassem o prato, os pais levavam-nas para Mentiras de Cães.
“Eu Chefe, já escolhi o meu abrigo. A Galinha Veterana e Sua Sumidade partilharão o abrigo ao meu lado. O resto está livre para as vossas patas ocuparem. Falei!”
Iam começar a movimentar-se na eterna obediência à chefia.
“Falou, mas falou mal!”
Um tiroteio de caçadores não teria feito melhor efeito.
O Chefe, ao bom ritmo do faroeste que não conhecia, parou e voltou-se lentamente.
Uma pequena palha estava presa ao bico. A crista tremia contidamente.
“Como foi muito bem dito, vamos começar uma nova vida. Aquilo que fizermos hoje marcará gerações vindouras, para o bem e para o mal.
A justiça deve ser a nossa rainha e o amor o nosso bem amado rei.
A distribuição dos nossos lares deve ser feita segundo as necessidades de cada família e não segundo a potencia das nossas coxas. As galinhas com prol maior serão as primeiras a escolher e assim sucessivamente.
Respeitaremos também a idade da Galinha Veterana.”
O cavador que lia livros no tempo de Salazar [2.ª ed.]
Francisco Cantanhede
Os homens e mulheres que ousavam ler livros e os que se atreviam a ouvir ler, mal tendo quase todos aprendido as primeiras letras, estavam, sem saber, conquistando impossíveis e construindo a utopia, pois é próprio das utopias procurar e ir procurando sempre, vendo mais longe e fazendo avançar o mundo, mesmo que se pressinta que a procura não vai ter fim. É um modo de resistir, a recusa de baixar a cabeça, de encolher os ombros e de rastejar, sabendo que este não pode ser o destino de quem é gente.
Não aceitar, questionar, desobedecer a mandos injustos, está simbolizado neste livro de Francisco Cantanhede pela audácia de ler, ver mais do que os olhos alcançam, em tempo de obscuridade, hipocrisia e miséria, como foi o da ditadura de Salazar e Marcelo Caetano. [Aurora Rodrigues].
Quando nada havia para meter na panela de barro, anichada ao canto da chaminé debaixo da trempe de ferro, Maria, protegida pelo lusco-fusco, conseguia ludibriar a patrulha da G.N.R. que, a cavalo, se escondia junto das veredas por onde circulavam vultos de regresso a casa e, tateando com as duas mãos no chão, apanhar algumas boletas, alimentação reservada a porcos, proibida à boca de farrapos humanos. Cozinhava-as com folhas de funcho ou erva-doce para enganar a fome impiedosa que exigia ser contentada.
Se a ladra fosse apanhada, seguiria com o produto do roubo à cabeça, entre as duas bestas, até à sede do latifúndio. Na presença do dono daquilo tudo, provocada, humilhada, pediria mil perdões pelo crime cometido, juraria mil vezes não voltar a apanhar o fruto proibido a que só os suínos tinham direito. Maria deveria saber que a natureza criou a boleta para os porcos e os porcos nasceram para a boleta...