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Poema e Poesia de Fernando Pessoa

Morte
Fernando Pessoa

Já me não pesa tanto o vir da morte

Já me não pesa tanto o vir da morte.

Sei já que é nada, que é ficção e sonho,

E que, na roda universal da Sorte,

Não sou aquilo que me aqui suponho.

 

Sei que há mais mundos que este pouco mundo

Onde parece a nós haver morrer —

Dura terra e fragosa, que há no fundo

Do oceano imenso de viver.

 

Sei que a morte, que é tudo, não é nada,

E que, de morte em morte, a alma que há

Não cai num poço: vai por uma estrada.

Em Sua hora e a nossa, Deus dirá.

 

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