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Poema e Poesia de Alberto d'Oliveira

Como o sol nasce do monte 
E todo o vale alumia, 
Assim no meu horizonte 
Nasceu teu olhar, um dia. 

Nessa manhã cor-de-rosa, 
Que dos teus olhos saía, 
Tua voz melodiosa 
Foi a voz da cotovia. 

E logo na minha mágoa, 
Neste canteiro sem flor, 
Brotou, qual nascente de água, 
O teu amor, meu Amor! 

Então fez sol deslumbrante 
Nos dias da minha vida: 
Já não era a luz distante, 
Já não a fonte escondida. 

Nuvens, tormentas e dores, 
Que enchiam meu coração, 
Tudo se cobriu de flores, 
A esse divino clarão! 

E à luz que os teus olhos deram, 
Como faróis redentores, 
Mundos no mundo nasceram, 
Do amor brotaram amores. 

Três aves no nosso ninho 
O enchem de um fulgor sagrado: 
Já não és o sol sozinho, 
Fizeste o céu estrelado! 

Deus te proteja e te guarde, 
Minha Mulher, minha Irmã, 
Ó minha Estrela da Tarde, 
Minha Estrela da Manhã! 

Alberto de Oliveira, in "Lar"

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