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Florbela Espanca


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1894 - 1930

Biografia

Florbela de Alma Conceição Espanca (1894-1930) nasceu em Vila Viçosa e faleceu em Matosinhos. Estudou em Évora, onde concluiu em 1917 o curso liceal, matriculando-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É por essa altura que publica as suas primeiras poesias. Tendo casado várias vezes e tendo sido em todas elas infeliz, começou a consumir estupefacientes. Só depois da sua morte é que a poetisa viria a ser conhecida do grande público, tendo contribuído para isso a publicação de Charneca em Flor (1930) pelo professor italiano Guido Batelli. Na Enciclopédia Larousse, esta poetisa é definida como «parnasiana, de intenso acento erótico feminino, sem precedentes na Literatura Portuguesa. A sua obra lírica, iniciada em 1919, com o Livro das Mágoas, antecipa em seu meio a emancipação literária da mulher».

Livros escritos por Florbela Espanca

Contos (2011)

Reliquae (1931)

A Máscara Do Destino (1931)

Dominó Negro (1931)

Charneca Em Flor (1930)

Livro De Sóror Saudade (1923)

Livro De Mágoas (1919)

Poemas escritos por Florbela Espanca

A Anto!

A Flor do Sonho

A Maior Tortura

A Minha Dor

A Minha Piedade

A Minha Tragédia

A Mulher

A Noite Desce

A Nossa Casa

À Tua Porta Há um Pinheiro Manso

A Tua Voz de Primavera

A um Livro

A Um Moribundo

A uma Rapariga

A Vida

A Voz da Tília

Alma a Sangrar

Alma Perdida

Alvorecer

Amar!

Ambiciosa

Amiga

Angústia

Anoitecer

Anseios

Ao Vento

Aos Olhos Dele

Árvores do Alentejo

As Minhas Ilusões

As Minhas Mãos

Caravelas

Castelã da Tristeza

Cegueira Bendita

Charneca em Flor

Cinzento

Conto de Fadas

Crepúsculo

Crucificada

Da Minha Janela

De Joelhos

Desejos Vãos

Diz-me, Amor, como Te Sou Querida

Dizeres Íntimos

Doce Certeza

Em Busca do Amor

Errante

Escreve-me

Esfinge

Espera...

Eu

Exaltação

Falo de Ti às Pedras das Estradas

Fanatismo

Filtro

Frémito do Meu Corpo a Procurar-te

Frieza

Fumo

Hora que Passa

Horas Rubras

Impossível

Inconstância

Interrogação

Junquilhos

Lágrimas Ocultas

Languidez

Lembrança

Mais Alto

Mais Triste

Maria das Quimeras

Mendiga

Mentiras

Meu Mal

Minha Culpa

Minha Terra

Mistério

Mocidade

Não Ser

Nervos D'Oiro

Neurastenia

Nocturno

Noite de Saudade

Noite Trágica

Noitinha

Nostalgia

O Maior Bem

O Meu Condão

O Meu Orgulho

O Meu Soneto

O Nosso Livro

O Nosso Mundo

O Que Alguém Disse

O Que Tu És...

O Teu Olhar

Ódio?

Os Meus Versos

Os Versos que Te Fiz

Outunal

Panteísmo

Para Quê?!

Passeio ao Campo

Pequenina

Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Pior Velhice

Prince Charmant

Princesa Desalento

Que Importa?...

Quem Sabe?...

Quem?

Realidade

Renúncia

Ruínas

Rústica

Saudades

Se Tu Viesses Ver-me...

Sem Palavras

Sem Remédio

Ser Poeta

Sol Poente

Sombra

Sou Eu!

Suavidade

Supremo Enleio

Tarde Demais...

Tarde no Mar

Tédio

Teus Olhos

Toda a noite o rouxinol chorou

Toledo

Torre de Névoa

Tortura

Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso

Vaidade

Velhinha

Versos

Versos de Orgulho

Volúpia

Vídeos de Florbela Espanca



Diversos


Uma Mulher sem Areia Nenhuma

Tenho o santo horror da frieza calculada, da boa educação, do prudente juízo duma mulher. Aos homens pertence tudo isso, e a mulher deve ser muito feminina, muito espontânea, muito cheia de pequeninos nadas que encantem e que embalem. Meu amigo, se esperas ter uma mulher sem areia nenhuma, morres de aborrecimento e de frio ao pé dela e não será com certeza ao pé de mim... 

Comigo hás-de ter sempre que pensar e que fazer. Hás-de rir das minhas tolices, hás-de ralhar quando elas passarem a disparates (hão-de ser pequeninos...) e hás-de gostar mais de mim assim, do que se eu fosse a própria deusa Minerva com todo o juízo que todos os deuses lhe deram. 


Fonte: "Correspondência (1920)"

Correspondência (1920)

Tenho saudades da carícia dos teus braços, dos teus braços fortes, dos teus braços carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que me entontecem e me dão vontade de chorar. Tenho saudades das tuas mãos (...) Tenho saudades da seda amarela tão leve, tão suave, como se o sol andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo de oiro. Minha linda seda loira, como eu tenho vontade de te desfiar entre os meus dedos! Tu tens-me feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser. Se um dia alguém se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha vida, tu dize-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, a meu pai como a meu irmão, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que desde criança me abandonaram moralmente que fui sempre a isolada que no meio de toda a gente é mais isolada ainda. Podes dizer-lhe que eu tenho o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha pensado fazer. Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer. 

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